Os segredos do amaciamento de motores

O auto intitulado MotoMan

Este é um tema extremamente polêmico e delicado. Principalmente porque cada um tem sua “receita”. Um problema maior ainda é se um leigo em motores como eu arriscar falar alguma coisa sobre amaciamento.

Porém, como muitos, quando peguei minha moto zero precisei amaciá-la. E com tanta receita por aí, não sabia em quem confiar. Então fiz uma pesquisa razoável e encontrei este tal MotoMan e um artigo gigantesco sobre amaciamento.

Fiz na minha moto um pouco tarde, já tinha rodado uns 300km seguindo o manual. Mas não sei se por esse motivo, minha Ninja 250 chegou a fazer 30km/l. Em viagens longas uma média de 25km/l. E, fora em autódromo, nunca fiz menos que 18km/l. A autorizada achou esses valores realmente altos.

ATENÇÃO:

Todas as instruções deste post são uma versão simplificada dos “Segredos do Amaciamento” (inglês) explicada e supostamente comprovada em mais de 300 motos pelo MotoMan.

Recomendo que leiam este artigo COMPLETO. Aqui tratarei apenas do amaciamento em estrada, que é o método mais comum e acessível a todos.

PRA QUÊ AMACIAR?

Aparentemente, nos motores modernos a 4 tempos, o amaciamento serve para SELAR OS ANÉIS DOS PISTÕES.

Este selamento serve para impedir que o óleo invada a câmara de combustão e entre no meio da mistura gás-combustível. E para selar, tudo que se precisa é a própria pressão da câmara de combustão.

De acordo com ele, se você passa todo o período de amaciamento somente em baixa rotação, quando for exigida uma maior pressão na câmara, as chances de vazamento de óleo aumentam.

QUANTO TEMPO DEVO AMACIAR:

O amaciamento COMPLETO leva os aproximados 1000km.

Mas 80% do amaciamento ocorre na PRIMEIRA HORA que o motor estiver ligado. (Nota pessoal: Acho este tempo muito extremo. E considerando que o veículo já foi ligado antes na concessionária…).

TÉCNICA PARA AMACIAMENTO NA RUA:

1º: Aqueça seu motor completamente.

Este é o passo MAIS IMPORTANTE  que a maioria esquece e dá origem a grande quantidade de problemas no motor depois. O motor chegando na temperatura “de trabalho” não vai mais sofrer as dilatações iniciais e estará pronto para amaciar.

Não, nada de esquentar até fundir! Ligue a moto/carro e vá andar sem subir muito o giro até a temperatura estabilizar. Só isso. Fácil, né?

2º:  Aceleração e desaceleração.

  • Varie sempre a aceleração e a carga do motor. Faça ele PUXAR e depois SEGURAR a moto/carro.
  • Não deixe muito tempo o motor na mesma rotação.
  • Suba o giro gradualmente a cada sequência. (Nota: Ele não cita isso no artigo, mas eu JAMAIS entraria na faixa vermelha durante os primeiros 1000km)

Segurança – Importante:

  • Você poderá usar a 2ª, 3ª e 4ª marcha. Só cuidado, afinal tem motos em que a primeira marcha já passa dos 120km/h.
  • Antes de desacelerar veja se não existe nenhum carro atrás de você.
  • Não abuse. O veículo é novo e você não está acostumado com ele.

 MANUTENÇÃO:

  • Não use óleo sintético.
  • Troque o óleo nos primeiros 50km

Haverá limária do primeiro uso do motor no óleo, a dica dele é para remover o “grosso” da limária logo no começo. Só que o preço do óleo lá não é o mesmo que o daqui.

RESULTADO:

Um bom selamento garante mais vida ao motor, menos manutenção, mais economia de combustível e mais potência.

Em contrapartida, um amaciamento “fraco” pode ser o início de problemas futuros.

O MotoMan chega a quantificar o ganho em potência entre 2% a 10%. Esse valor serve para perda em caso de um amaciamento ruim.

Pistões amaciados seguindo o manual (esq.) e seguindo a técnica do MotoMan (dir.)

E para o truque do “mata a cobra e mostra o pau”, ele mostra a diferença entre um pistão amaciado seguindo o manual (sem rotações altas) e outro com a técnica do motoman (que é completamente diferente de “amaciar no pau”).

No artigo original tem fotos de mais pistões de várias montadoras, montando o que ele considera “O museu dos pistões impossíveis”.

MINHAS NOTAS SOBRE A TÈCNICA

Acho que tudo parte do bom senso. As montadoras querem passar um amaciamento simplificado para o usuário. Um mecânico, salvo excessões, dificilmente será um Ph.D. em engenharia/física.

Sobre esta técnica, coloquei minhas ressalvas em alguns trechos pois não quero um motor de competição. Só quero um motor bem amaciado, durável e econômico.

Não vejo nada de errado na parte de aquecer o motor antes de fazer qualquer aceleração brusca. Até acho que deveria ser assim após o amaciamento também.

Também não vejo nada de errado na teoria da “pressão da combustão selar os pistões”. Só com a ressalva de giros na parte vermelha.

E vejo muita lógica no caso de não utilizar óleo sintético e da troca de óleo súbita. Só não acho que todos realmente precisem desse ganho trocando o óleo tão cedo.

Porém, ao contrário de muitas matérias, esta foi a que achei mais RACIONAL sobre amaciamento. Justamente por isso estou publicando uma tradução simplificada aqui.

Alguém mais testou?

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8 Comentários

  1. Faz todo o sentido, Felipe. Realmente é um processo que pode resultar em uma vida útil completamente diferente para o motor… Tanto com relação a durabilidade, quanto ao desempenho.

    Excelente matéria!

  2. Olá Felipe, gostei muito do post e parece bem coerente.
    Dentro de 02 dias estarei retirando minha moto que esta á “fazer” o motor, vou utilizar das técnicas propostas e volto para compartilhar os resultados.
    Obrigado e até..

  3. Gustavo · · Responder

    Muito bom o artigo, mesmo que em resumo. minha next 250 chegou ontem, já coloquei 105 km/h mas não aqueci o motor como deveria. Apos ler este review farei como diz e um pouco do que o mecanico especializado diz TB. obrigado

    1. Gustavo · · Responder

      Muito bom o artigo, mesmo que em resumo. minha next 250 chegou ontem, já coloquei 105 km/h mas não aqueci o motor como deveria. Apos ler este review farei como diz e um pouco do que o mecanico especializado diz TB. obrigado

  4. Eduardo · · Responder

    O amaciamento é importante para que as peças móveis do motor (mancais e anéis) se ajustem à perfeição. Falo isso com certa propriedade: sou engenheiro de motores e trabalhei por 10 anos na VW. Mas o processo não é tão rigoroso: dentro da fábrica os montadores sentam o “kct” na máquina por uns 10km e isso não prejudica o sistema. Fiquei com uma dúvida quando ao óleo, qual o manual recomenda???

    Parabéns pelo post!!!

  5. eduardo reis · · Responder

    Gostei do post. Eu adiquiri uma ninja 0km e estou ansiosamente aguardando uma questão burocratica. Farei o que indica aqui pois é muito importante ter uma moto durável.

  6. Felix · · Responder

    Vou seguir as dicas na minha moto. Acabei de pegar uma XJ6F e vou testar. Espero que de certo, e acho que vai dar. Faz muito sentido.

    Obrigado pelo post.

  7. Já tenho moto a algum tempo e sigo mais ou menos o que foi escrito, pois já vou para quinta moto zero e todas as outras vendi com km acima dos 100mil,ou aproximado e estão rodando ate hoje!

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